Ingratidão e Ofendismo

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Ingratidão e Ofendismo

Prof Múcio Melo Álvares

         Duas inferioridades morais que identificam bem o atraso de um Espírito em evolução em nosso Planeta: ingratidão e ofendismo.

        O ingrato, em primeiro lugar, o qual se esquece e geralmente não reconhece nem os pequenos nem os grandes favores e benefícios que lhe foram prestados por parte de parentes, amigos (encarnados e desencarnados), companheiros de ideal religioso, conhecidos e desconhecidos, como se o mundo todo existisse para servi-lo.

        E, muitos deles, se receberam mil (1000) benefícios e deixaram de receber apenas um (1) esquecem-se dos mil (1000) que receberam e concentram todo o seu rancor, toda a sua maledicência e toda sua ingratidão naquele único que não puderam receber.

       Contam os biógrafos de Mahatma Gandhi que são suas estas palavras: – Há pessoas que nunca vêem o que se fez em seu favor mas só enxergam o que se deixou de fazer por elas.”

       Segundo os Evangelhos, Jesus curou dez leprosos de uma vez e só um voltou para agradecer. E informam-nos os historiadores espirituais do Cristianismo que muitos doentes curados pelo Divino Mestre estavam no meio da turba enfurecida que gritava diante de Pilatos, envenenados pelos sacerdotes do Judaísmo: – “Solte Barrabás e crucifique o Cristo.”

        – O indivíduo altamente ofendível é pessoa de convivência difícil no lar, no trabalho, na vida social e, plenificado de orgulho e vaidade, até por um cumprimento  que alguém não lhe dispensou na rua porque não o viu ou por um motivo qualquer, isso constitui motivo para açular o seu ódio, sua revolta, a sua aversão. Não aceita críticas, sugestões, opiniões por mais sensatas e fraternas que sejam, uma vez que estas não incidam com o seu modo de pensar e agir.

        É autossuficiente e, quando contrariado, se considera sempre vítima da injustiça, da humilhação e da perseguição dos outros.

        Segundo o professor Huberto Rodhen, famoso filósofo e pensador cristão, “o indivíduo ingrato e cem por cento ofendível é zero por cento espiritual e o  indivíduo reconhecido  e zero por cento ofendível é cem por cento espiritual.”

        Para Emmanuel, este sábio Instrutor Espiritual, o ingrato é um doente moral e sofre paralisia da memória.

       Jesus, com o seu amor e com a sua bondade infinita perdoou a todos os ingratos do seu caminho, todos os ofensores e os que se sentiram altamente ofendidos pelos seus interesses contrariados com as novas luzes do Evangelho – “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” Mas a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Ação e Reação, estabelecida pelas grandes Leis Cósmicas que governam a vida,  desde o princípio deste mundo, não perdoa ninguém.

        Todos os grandes Mestres da Humanidade a conheciam e Jesus também a ensinou quando disse: – “A cada um será dado de acordo com suas obras.” ; “quem com o ferro fere, com o ferro será ferido.” ; “quem comete o mal torna-se escravo dele.”

       Assim, o mal e o erro devem ser punidos, reparados e transformados em atos de amor no curso do tempo, ainda que para isso sejam necessários séculos e milênios de dor e experiência.

       Tinha razão o poeta espiritual quando escreveu pelas mãos de Chico Xavier:  – “Na verdade Deus bom/ Mas se o filho é rude e mau,/ Por vezes desce do Céu/ Pedra e fogo, corda e pau.”

        O espírito de Humberto de Campos também nos ensina, num de seus livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, que “a dor é um aguilhão bendito que tange os rebanhos humanos das lamas da Terra para a claridade dos Céus.”

       E é Jesus ainda quem avisa aos que infringirem suas Leis de Amor e de regeneração moral:

      -“Sereis apanhados e lançados nas trevas exteriores onde há choro e ranger de dentes”; “e sereis metidos numa prisão (sofrimentos diversos) e não saireis de lá enquanto não pagardes o último ceitil.”

Artigo Publicado no Jornal Luzes do Consolador  – Ano 2 nº 5 – out 1998.

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Artigo publicado no Jornal Luzes do Consolador – out 98 – Ano 2 nº5 – Goiânia-GO

OBSESSORES DE CARNE E OSSO

Prof. Múcio de Melo Álvares

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Numerosos são os espíritos inferiores que acobertados na invisibilidade do mundo espiritual, disseminam por toda parte a perturbação e a doença, o crime e a morte.

Enxameiam, entretanto, em torno dos nossos passos, outros agentes das sombras, igualmente responsáveis por larga soma de desequilíbrio e misérias…

SÃO OS OBSESSORES DE CARNE E OSSO:

NO LAR, ora surgem em maridos e esposas, ignorantes e obsidiados, que envenenam os dias dos companheiros de vida comum e criam-lhes invencíveis dificuldades no cumprimento do dever que a providência divina lhe confiou; ora se identificam em filhos e filhas, irmãos e irmãs, parentes e amigos que, desatentos às grandes leis que governam a vida, agarram-se às ilusões passageiras do mundo, colocando em si mesmos e nos que lhes são caros, pesadas algemas que só as grandes dores serão capazes de desatar.

NA CASA DE FÉ RELIGIOSA, são os companheiros e as companheiras egoístas, vaidosos e maledicentes que, totalmente desligados de qualquer compromissos com a reforma do caráter e a prática do bem, atiram sempre lama e pedras naqueles que trabalham, lutam e sofrem para o triunfo da verdade e do bem.

NO TRABALHO  são os chefes tirânicos, os empregados relapsos e os colegas difíceis, que divorciados de qualquer princípio do altruísmo e boa vontade, erigem-se em dolorosos calvários para os outros.

NA ESCOLA é o Professor incapaz e o aluno irresponsável, o pai desligado e a mãe incompreensiva, esquecidos de que, só no cumprimento do dever e na educação integral, com fundamento em Jesus Cristo, se levantam as esperanças do mundo.

NA RUA  encontramo-los no homem comum que, “ enceguecido “ pelo egoísmo e pelo vício, oferece as suas ações deprimentes e os seus maus exemplos, prejudicando direitos alheios e conspurcando corações puros e honestos.

NA VIDA SOCIAL, facilmente os distinguimos nos adversários gratuitos da verdade e da justiça, nas almas cristalizadas na maldade e no pessimismo, na inveja e no ódio, na maledicência e no fanatismo, que anulam os nossos melhores esforços e desestimulam os que se acham no serviço do bem. Sabemos que os espíritos obsessores desencarnados nos atingem com seus pensamentos de angústia e ódio, usura e delinqüência, orgulho e desânimo, vaidade e ciúme, viciação e egocentrismo criando-nos toda espécie de derrocadas, de psicopatias e sofrimentos. Através dos seus fluidos malsãos, podem também, ao longo do tempo, provocar em nosso corpo físico verdadeiras “ infecções fluídicas “ , degenerando células e tecidos com processos patogênicos que originam as mais variadas doença e que favorecem a própria morte.

No que diz respeito aos obsessores de carne e osso ocorre o mesmo com suas vibrações maléficas e seus fluidos enfermiços e temos, por isso, as informações do próprio Cristo e dos seus Mensageiros dos Planos da Luz Divina que nos aconselham a evitar os atritos com os mesmos, o perdão das ofensas, com o esquecimento do mal e o desligamento pacífico de todos aqueles que nos perturbam a paz .

Assim, é necessário que saibamos vencer todos os obsessores e, de maneira especial, os de carne e osso que nos atormentam, mas não nos convertamos em seus algozes ou juizes, pois a Lei de Ação e Reação os acompanha, severa e vigilante, dispondo de mil modos para corrigi-los e dizer-lhes “ basta “ aos desatinos.

E à semelhança de nosso trato com os desencarnados infelizes, especialmente junto a aqueles que a Lei Divina colocou ao nosso lado, dentro de nossa casa, para os acertos de conta do passado, tanto quanto possível, através do silêncio e da oração, do trabalho nobre e dos sentimentos elevados que lhes ofertamos, poderemos beneficiá-los, e a nós mesmos também, transferindo-os das trevas para a Luz.

É ainda uma utopia dos nossos sonhos, mas será uma grande realidade do futuro, quando, por toda parte, estivermos cercados de pessoas na mesma faixa espiritual de vibração positiva, em virtude da prática generalizada por todos daquela recomendação do Apóstolo Paulo aos cristãos de Felipos: – “ Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é nobre, tudo o que é puro, tudo o que é santo, seja, em cada hora da vida, a luz dos vossos pensamentos “.

É bom que se medite, ainda, neste trecho do capítulo XIX do livro “ Nos Domínios da Mediunidade “, de André Luiz/ F.C.X. : “ A influência de almas encarnadas entre si, às vezes, alcança o clima de perigosa obsessão. Milhões de lares podem ser comparados a trincheiras de luta, em que pensamentos guerreiam pensamentos, assumindo as mais diversas formas de angústias e repulsão;

– E poderíamos enquadrar o assunto nos domínios da mediunidade?

Perfeitamente, cabendo-nos acrescentar ainda que o fenômeno pertence à sintonia. Muitos processos de alienação mental guardam nele as origens. Muitas vezes, dentro do mesmo lar, da mesma instituição, adversários ferrenhos do passado se reencontram. Chamados pela Esfera Superior ao reajuste, raramente conseguem superar a aversão de que se vêem possuídos, uns à frente dos outros, e alimentam com paixão, no imo de si mesmos, os raios tóxicos da antipatia que, concentrados, se transformam em venenos magnéticos, suscetíveis de provocar a enfermidade e a morte. Para isso, não será necessário que a perseguição recíproca se expresse em contendas visíveis. Bastam as vibrações silenciosas de crueldade e despeito, ódio e ciúme, violência e desespero, as quais alimentadas, de parte a parte, constituem corrosivos destruidores “.

Artigo publicado no Jornal Luzes do Consolador – Out 98 – Ano 2 nº 5 – Goiânia-GO

Culpa e Perdão

Luzes
Prof. Múcio Melo Álvares

“Em verdade vos digo, que tudo o que vós ligardes sobre a Terra será ligado também no Céu; e tudo o que vós desatardes sobre a Terra será desatado também no Céu.” Jesus in Mateus – 18 Vv18.

O texto do Cristo diz respeito à lei da repercussão de nossos atos na vida espiritual, que iremos viver quando desencarnados. No mundo espiritual esperará por nós o resultado do bem e do mal que houvermos praticado aqui na Terra. E não só o resultado de nossos atos, como também estarão a aguardar-nos, no limiar do mundo espiritual, nossos amigos e inimigos.

O ódio e o amor são duas forças de atração e de ligação. Os que se amam, atraem-se e ligam-se pelo amor, donde lhes advirá a felicidade. Os que se odeiam, atraem-se e ligam-se pelo ódio, do qual serão gerados sofrimentos.

Eis porque Jesus, profundo conhecedor das leis que regem os destinos das almas, recomenda que perdoemos sempre, a fim de desatarmos os cruéis laços do ódio. E nos recomenda, insistentemente, que nos amemos uns aos outros, para que nos liguemos pela felicidade nos céus.

Somente o perdão aciona a possibilidade da comutação das penas a nós infligidas pelo desacato à Lei. “Se soubermos suar no trabalho honesto, não precisaremos chorar no resgate justo”, como propõe André Luiz. Isto significa também que o despertar da consciência para a Luz Divina gera aceitação e submissão à Lei de Ação e Reação que nos impele à refazenda do próprio destino, através dos compromissos assumidos nas reencarnações de lutas, provas e expiação. O que poderá ocorrer, de forma bem sucedida, se for precedido pelo perdão às ofensas recebidas. Desta forma não haverá “choro e ranger de dentes” e os pecados (culpas) que eram vermelhos como escarlate, como assevera o profeta Isaías ( 1:18 ) tornar-se-ão brancos como a mais pura lã.

O perdão aos semelhantes ameniza as dívidas presentes e passadas – pois perdão é amor. Deus nosso Pai perdoará as nossas dívidas assim como perdoarmos nossos devedores. Perdoando, na mesma proporção com que perdoarmos, o Senhor terá complacência para conosco, cobrindo com o seu amor a multidão de nossas faltas (culpas).

Texto extraído dos estudos da Harmonia dos Evangelhos – Mateus cap XVIII – ministrado pelo Prof Múcio Melo Álvares, às segundas-feiras, no Grupo Espírita Allan Kardec de 1977 a 1997.

Espiritismo e Religião

Prof. Múcio Melo Álvares

LUZES CONSOLADOR

          Se o Espiritismo não for religião, o Cristianismo também não é. Não foi o próprio Jesus quem afirmou, no Evangelho de João, Capítulo 14, Versículo 14 a 28, que ele tinha muita coisa ainda a dizer mas que os homens não podiam suportar, entender, naquela época e que mais tarde, Ele mandaria o Consolador, o Espírito da Verdade, que iria repetir o que Ele disse, ensinar novas verdades e anunciar as coisas que viriam? E que disse que o Consolador iria corrigir o mundo do pecado, da justiça e do juízo?

         Não é por acaso isso que a Doutrina Espírita está fazendo, restaurando o Cristianismo na Terra, chegando ao mundo e impondo à inteligência e ao coração de todos, através da fenomenologia mediúnica, dos seus fundamentos científicos, filosóficos e religiosos?

         Como Ciência, Ela trata da origem da natureza e do destino dos Espíritos; além das relações entre o mundo corporal e espiritual.

         Como Filosofia, Ela compreende todas as conseqüências morais derivadas dessas relações.

         E como Religião, Ela restabelece todos os ensinamentos do Cristo, faz novas revelações, consola os aflitos, orienta a todos no caminho certo para seu progresso, sua felicidade, sua evolução, rumo a Deus. Logo, ela é RELIGIÃO.

        Todos os livros de Allan Kardec estão impregnados da moral e dos ensinamentos do Cristo, as obras complementares e, de maneira especial, os livros da produção mediúnica de Francisco Cândido Xavier, um dos maiores Profetas de todos os tempos, depois de Jesus, têm como base fundamental esta mesma Moral Cristã.

        O Espiritismo só não é religião, segundo Allan Kardec, na Revista Espírita de 1868, página 357, e não tem nenhuma característica de religião, na acepção usual do vocábulo “religião” – como conjunto de dogmas, ritualismos, cerimônias exteriores, teologias humanas, crença cega, biblismo desenfreado e interpretado segundo a letra que mata e não com o Espírito que vivifica.

       É por isso que Allan Kardec na Revista Espírita de junho de 1859, página 213, afirmou ainda que o Espiritismo estava fora de todas as crenças dogmáticas, ditas religiosas segundo a concepção da época e que, sob este ponto de vista, não era religião.

          O Cristianismo do Cristo, segundo grande pensador cristão, é Profético, Evangélico, Místico e Espiritual. E o Cristianismo dos homens é teológico, eclesiástico, hierárquico e sacramental.

         Analisado por este ângulo do cristianismo dos homens, realmente, o Espiritismo não é religião. Mas  como a Doutrina se baseia nas Revelações Proféticas autênticas, do Alto), no Evangelho do Cristo e todo o seu conteúdo leva à profunda evolução mística e espiritual, então o Espiritismo ou a Doutrina Espírita é, repetimos, A RELIGIÃO com todas as letras maiúsculas.

         Emmanuel estava com a razão quando escreveu:

“No aspecto religioso repousa a grandeza divina do Espiritismo, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, para a grandeza do seu imenso futuro Espiritual.”

                      Extraído do  Jornal Luzes do Consolador – Ano 1 nº01 -1997