Violência X Inteligência

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P – Chico Xavier, a violência do mundo atual é uma mostra de que estaríamos vivendo o fim dos tempos? Resumindo: Violência… sinal dos tempos?

R- Permita-nos um contra-pergunta: não será a violência o resultado de nosso pretendido afastamento da fé religiosa, segundo o materialismo da inteligência deteriorada, que tenta convencer-nos de que não passamos de animais sadios ou doentes da civilização?

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Suicídio e Reestrutura do Corpo Espiritual

P – Chico,  como você vê o suicídio? De que maneira e com que traumas se reencarnam as pessoas que se matam: a) por tiro no ouvido, b) por veneno, c)jogando-se embaixo de um carro, d)através de superexposição à radiação atômica, e) através do enforcamento?

R – O suicídio está ligado ao senso de responsabilidade. Nosso Emmanuel explica que somos culpados por aquilo que conhecemos como sendo uma atitude imprópria para nós. Porém temos ainda povos, que adotam o suicídio como norma de comportamento heróico. Demonstram que não possuem conhecimento exato sobre a responsabilidade de viver, produzir o bem, como nós os cristãos fomos instruídos pelos evangelhos de Nosso Senhor. A escola de Jesus nos prepara para a construção de um mundo melhor, de amor e paz, não obstante os conflitos e guerras que temos sofrido, ou que estejamos sofrendo. Para nós, os cristãos, o suicídio já adquire dimensões diferentes, porque somos chamados para valorizar a vida, compreender o sofrimento como processo educativo e reeducativo de nossa personalidade. É algo de ingratidão para com os poderes supremos que regem os nossos destinos. O suicídio, para aqueles que conhecem a importância da vida, impõe um complexo culposo muito grande nas consciências. Então, nós os cristãos, que temos responsabilidades de viver e compreender a vida, em suicidando, nós demandamos o além com a lesão das estruturas do corpo físico. São espíritos doentes, espíritos enfermiços que recebem carinho especial dos protetores espirituais. Se damos um tiro no crâneo, conforme a região que o projétil atravessa sofremos no além as lesões consequentes. Mas o problema que está dentro de nós, na hora de voltar à Terra, faz com que peçamos para assumir dificuldades inerentes às próprias culpas. Assim:

1.se a bala atravessa o centro da fala, naturalmente vamos retomar o corpo físico em condições de mudez. Se corrompe o centro da audição é natural que a surdez nos acompanhe. 

2.se atravessa o centro da visão, vamos renascer com processo de cegueira.

3.se nos precipitamos de alturas e aniquilamos o equilíbrio das nossas estruturas espirituais, vamos voltar com determinadas moléstias que afetam o nosso equilíbrio.

4. quando nos envenenamos, envenenamos nossas vísceras, somos candidatos, quando voltamos à Terra, através da reencarnação,  ao câncer nos primeiros dias da infância, ao problema de fluidos comburentes que criam desequilíbrio no campo celular. Muitas vezes encontramos numa criança recentemente nascida um processo canceroso que nós não sabemos justificar, senão pela reencarnação, porque o Espírito traz consigo aquela angústia, aquele desequilíbrio que se instala dentro de si próprio.

5.pelo enforcamento, trazemos determinados problemas de coluna e caímos logo nos processo de paraplegia. Somos crianças ligadas, parafusadas ao leito durante determinado tempo, em luta de autocorrigenda, de autopunição, de reestruturação de peças do nosso corpo perispiritual.

Obsessão e Livre Arbítrio

P – Chico Xavier, os Espíritos desencarnados em desequilíbrio, influem sobre os encarnados, a ponto de subtrair-lhes o livre arbítrio? Como e quando?

R – Não. Na condição de cristãos, sobretudo porque antes da codificação da Doutrina Espírita, já possuíamos, no Evangelho de Jesus, explicações muito claras quanto à nossa responsabilidade de viver, é impossível admitir que uma criatura, encarnada ou desencarnada, consiga furtar o livre arbítrio nas fontes de nossos pensamentos.

Às vezes, estudamos o assunto quando já nos achamos encarcerados nas consequências de ações complexas ou infelizes, praticadas por nós, seja nesta vida ou em vidas passadas. Nessas circunstâncias, somos impulsionados a crer que o Espírito Obsessor encontra em nós afinidades ou raízes de ligação com as quais se harmonizam conosco, quando, na realidade, são companheiros nossos, da existência atual ou de outras eras que passam a integrar conosco verdadeira legião de criaturas perturbadas.

Por isso mesmo, Jesus, certa feita, conforme as narrativas do Evangelho, declarou que determinado Espírito obsessor trazia o nome de Legião. Em vista disso, a criatura, quando está positivamente obsediada, pode estar refletindo toda uma falange de espíritos infelizes que se afinam com ela.

Processo obsessivo, a nosso ver, é problema de harmonização ou de aceitação, no mecanismo de nossos relacionamentos recíprocos.

Vida no Além e Progresso Material

P – Chico, a Doutrina Espírita é acusada de, ao se preocupar com a vida no além, ajudar a manter o sistema político vigente, a não se preocupar com o progresso material e político do homem na Terra. O que você acha?

R – É muito interessante essa questão, mas não desejamos abusar, desprestigiar, desprimorar mesmo a figura de Jesus Cristo. É importante considerar que Jesus cogitou muito da melhora da criatura em si.  Auxiliou cada companheiro no caminho a ter mais fé, a amar seus semelhantes, a se entreajudarem.  De modo que vimos Jesus sempre preocupado com o homem, com a alma.  Não nos consta que ele tivesse aberto qualquer processo de subversão contra o Império Romano, nem mesmo contra a Palestina ocupada. O espírita não é uma pessoa conformada do ponto de vista negativo. Conformismo em Doutrina Espírita tem sinônimo de paciência operosa. Paciência que trabalha sempre para melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a responsabilidade de administração de nossos interesses públicos. Em nada adianta dilapidar o trabalho de um homem público, quando nosso dever é prestigiá-lo e respeitá-lo tanto quanto possível e também colaborar para que a missão dele seja cumprida.  É sempre muito fácil subverter as situações e estabelecer críticas violentas ou não em torno das pessoas. Nós precisamos é de construtividade. Não que estejamos batendo palmas para esse ou aquele, mas porque devemos reverenciar o princípio da autoridade, porque sem disciplina não sei se pode haver trabalho, progresso, felicidade, paz ou alegria para alguém. Veja a natureza: se o sol começasse a pedir privilégios e se a Terra exigisse determinadas vantagens, o que seria de nós com a luz e o pão de cada dia?

Sombra Nefasta

P – Chico, fale-nos sobre as guerras.

R – As guerras, naturalmente, são consequências do ódio que ainda alimentamos, dos ressentimentos, a soma das aversões que cultivamos na intimidade doméstica, e depois da intimidade doméstica vamos para a vida pública com semelhantes perturbações que, depois de largo tempo, criam aquela sombra nefasta que chamamos de guerra. Mas o amor, se o amor for praticado tal qual Jesus nos ensinou, poderá nos livrar de semelhante calamidade.

Crise da Fé

P – Chico, o que você pode dizer sobre a crise da fé?

R – A crise da fé determinou a crise social, e mesmo a crise sócio-econômica, que observamos em todos os países. Nos países supercultos a taxa de toxicomania, de alcoolismo, de suicídio, de obsessão, de loucura mesmo, é muito maior do que nos países chamados pobres ou subdesenvolvidos. A ciência resolve e resolverá muitos problemas, mas não resolve e não resolverá os problemas do coração. Os nossos problemas do coração apenas em Deus hão de encontrar a solução precisa. Porque nós precisamos de amor. Nós não podemos pedir piedade a um computador…