Implantações anti-doutrinárias

duvida_kardec

 A DOUTRINA E AS PRÁTICAS ESTRANHAS                                                                                                              *Francisco Batista de Menezes Júnior

O Espiritismo, dizem os espíritos, é a grande alavanca de transformação da humanidade. Mas para que esse objetivo seja alcançado é necessário que não percamos de vista a unidade de princípios que representa sua pureza. Reportemos ao Projeto 1868. Lá nos recomenda o Codificador:

“O único meio de evitar distorções, senão presentemente ao menos no futuro, é apresentar essa propagação em todas as suas partes e até nas minudências, com tal precisão e clareza, que seja impossível qualquer interpretação divergente”. (Allan Kardec, Obras Póstumas)

Para isso, nos fala Kardec que dois elementos devem contribuir para o progresso do Espiritismo:

1. O estabelecimento teórico da doutrina;

2. Os meios de popularizá-la.

É aí que todos nós, espíritas, somos chamados para o desempenho de nossas diferentes tarefas que têm seu ponto de partida nas casas espíritas – esse ponto do planeta onde a fé raciocinada estuda as leis universais… É nele que os dirigentes que têm a oportunidade de administrá-las, seja na condição de presidente ou diretor, devem, para atender o estabelecimento teórico, observar a orientação de Kardec, contida no capítulo – Ensino Espírita, que declara da necessidade de oferecer cursos regulares com o objetivo de desenvolver os princípios da ciência e de propagar o gosto pelos estudos sérios. O curso tem a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de propagar as ideias espíritas.

Quanto aos meios para popularizar a doutrina é preciso atenção, pois aí é que surgem os grandes perigos, pois na ânsia de fazê-lo, muitos dirigentes se lançam a práticas estranhas, distorcendo-a totalmente. Aqui lembramos Miguel Vives y Vives na obra O Tesouro dos Espíritas – Barcelona – Trad. J. Herculano Pires, quando diz: “A obrigação principal do espírita é zelar pelo seu tesouro, a doutrina. Mas para isso, ele deve estudá-la, conhecê-la bem, pois, do contrário, como haverá de zelar por ela?”

E continua, “O Espiritismo não é apenas uma eclosão mediúnica, não é somente manifestação de espíritos. É a doutrina do Consolador, do Espírito de Verdade, do Paracleto enviado pelo Cristo para nos orientar”.

Assim, dirigentes e tarefeiros se encontram revestidos de um encargo que, embora nada seja entre os homens, é de grande importância perante Deus. Carregam, portanto, uma responsabilidade de encaminhar irmãos para a descoberta da verdade. Dessa forma, sem estudo constante da doutrina não se faz Espiritismo, cria-se apenas uma rotina de trabalhos práticos que dão a ilusão de eficiência.

Através de uma postura de humildade irão gerar e sustentar o amor ao próximo; sem ela, nem o estudo pode dar frutos. Sem estudo, os frutos da humildade não produzem amor, mas fingimento, hipocrisia de maneiras e de fala melosa. O espírita é natural e exige naturalidade.

Assim, o dirigente e todos os tarefeiros devem evitar o maneirismo, o artificialismo.

O respeito às demais correntes religiosas não significa introduzir suas práticas nas reuniões espíritas com o objetivo de atrair grande número de frequentadores.

Por falta de conhecimento básico da Doutrina Espírita alguns dirigentes levam os participantes da instituição a posturas confusas, chegando a apresentar à sociedade um Espiritismo distorcido, mesclado com práticas estranhas.

Espiritismo não proíbe nada, conscientiza.

Para realizar sua transformação moral, que é uma imposição do progresso espiritual, o homem não precisa utilizar-se de vestuários especiais, de símbolos…

Que os que cheguem à Doutrina Espírita vejam que ela é, basicamente, Ciência, Filosofia e Religião.

Para isso, cabe ao dirigente e todos os que militam na instituição espírita mostrar que é o Espiritismo uma doutrina sem dogmas propriamente ditos, sem liturgia, sem símbolos, sem sacerdócio organizado, que não adota em suas reuniões e em suas práticas roupa branca, incenso, altares, imagens, que não realiza reuniões para atender a interesses materiais, que não realiza casamentos, batizados, promessas a espíritos para conseguir favores…

Como profilaxia, todos que trabalham na seara espírita devem buscar a cada dia adotar medidas preventivas que levem aos frequentadores, e mesmo a muitos trabalhadores, o esclarecimento na busca da postura correta em relação à Doutrina.

Dessa forma, a instituição espírita não fugirá de seu grande objetivo, qual seja o de formar cidadãos espíritas conscientes. Cidadãos espíritas que concorram para que a doutrina possa modificar moralmente o homem, levando-o ao caminho do bem, em que a palavra do Espírito de Verdade possa ecoar de forma clara e vibrante nos ouvidos agora capazes de ouvir o chamamento ao amor e à instrução.

Referência Bibliográfica:

Administração Prática de Instituições Espíritas – Princípios Doutrinários e Científicos

Goiânia; edição livre, 2001.

MENEZES Jr. Francisco Bezerra; SANTOS, Fábio Oliveira

*Sócio efetivo da Federação Espírita do Estado de Goiás e do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo – Casa de Eurípedes – E-mail: franciscomjr@yahoo.com.brFone: 62 -9624-3556

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s