Artigo publicado no Jornal Luzes do Consolador em novembro de 1990 –Ano 2 nº8.

JC BIBLIA

As belezas da Bíblia e as Luzes para  a sua interpretação

Múcio Melo Álvares

       Dividida em Velho e Novo Testamento, aceita de capa a capa por muitos, como a Palavra de Deus, ou recusada por outros, como livro de ciência e sabedoria, a Bíblia para nós, Espíritas,  sobretudo o Novo Testamento, é um imenso repositório de grandes Verdades Espirituais.

       Temos na Doutrina, que restaura o Cristianismo na Terra, a orientação Espiritual necessária para entendermos e interpretarmos as Revelações dos Profetas, as prescrições antigas e todos os seus livros do Gênese de Moisés ao Apocalipse de João Evangelista.

       A base de tudo, todavia, para sua aceitação e entendimento, consoante estamos seguramente informados, está na concordância do texto bíblico com os ensinamentos do Cristo – O Embaixador Divino em nosso mundo e que foi, conforme afirmou sábio pensador Cristão – “O próprio Céu que desceu à Terra para que a Terra subisse até o Céu; o filho de Deus que se fez homem para que os homens se tornassem filhos de Deus”.

          A filosofia Crística, ou seja, os princípios, as normas morais e religiosas do Criador, sob o patrocínio do Cristo de Deus, verteu dos Céus à Terra, dos Planos Superiores para todos nós, desde a mais remota antiguidade, através dos Profetas, tinham ou não este nome, mas que eram homens e mulheres detentores de poderes mediúnicos ou carismáticos, como preferem outros, para a Instrução Espiritual da Humanidade.

         Coube sempre, entretanto, aos seres humanos, a tarefa importantíssima de examinar, de estudar, de joeirar, de refletir, numa exegese sábia, para praticar com segurança todas as chamadas Revelações do Alto, de quaisquer crenças religiosas.

        Para isso foi necessário que Jesus viesse pessoalmente ao nosso mundo, conforme anunciaram os profetas do Velho Testamento dos hebreus e até de outras religiões, a fim de que, através da sua simplicidade, de seus protegidos e de seus ensinamentos puros e infalíveis se estabelecessem os caminhos para todo gênero humano do nosso mundo.

         Esses ensinamentos, todavia, conforme Ele mesmo e seus primeiros discípulos explicaram, deviam ser entendidos, em Espírito e Verdade, não de acordo com a letra que mata, mas segundo o Espírito que vivifica.

        E Ele, o Cristo de Deus, afirmou claramente: – “A lei e os Profetas duraram até João – Lucas 16:16”. “Antigamente se dizia assim, hoje porém, Eu vos digo...” – E dava a nova norma cristã, de acordo com a lógica, a razão e os princípios éticos de justiça e de amor que governam a vida, desde o princípio do mundo.

A  LETRA QUE MATA E O ESPÍRITO QUE VIVIFICA

       Não basta  conhecer a fundo as escrituras. Os judeus as conheciam, e no entanto, não obstante o seu monoteísmo e sua evolução espiritual superior a de outros povos daquela época, não reconheceram Jesus (até hoje) como salvador nem o aceitaram como o Messias. Mesmo diante de todos os seus sinais anunciados (Doutrina e Prodígios) que o identificavam, combateram-no, perseguiram-no e o mataram.

       Desse modo, não podemos jamais ser doutores da letra e analfabetos do Espírito da Bíblia, como afirmou famoso pensador Cristão.

       Leibnitz tinha razão quando proclamou que nenhuma fé pode ser real ou inteligível se não tiver a sua base na razão humana. A religião, para ele, divorciada da razão do homem, não pode firmar-se e sustentar-se.

       E Allan Kardec, um dos enviados do Cristo para a restauração do Cristianismo na Terra, disse-o mesmo quando afirmou que fé inabalável é só aquela que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.

        Conforme já comentou conhecido estudioso das religiões comparadas, a crença cega é morta, comparável à luz mortiça dos ambientes fechados.

       O Cristão verdadeiro não pode confinar-se aos limites do conhecimento adquirido. Ele precisa ler, estudar, pesquisar. A leitura escolhida está para a inteligência como o pão para o corpo: se este sustenta, tonifica e desenvolve as forças físicas aquela o faz ao Espírito, adestrando-lhe o raciocínio. Ler  estudando, espiritualizar-se e, progredir, é caminhar para Deus. Procurem os bons livros doutrinários e terão adquirido um cabedal de vida eterna, patrimônio da alma.

       Tendo em vista o atraso científico e a ignorância espiritual dos homens no tempo em que Jesus esteve aqui entre nós, Ele deu muitos dos seus ensinamentos veladamente, por parábolas e falou, com profunda clareza no Evangelho de João, capítulo XVI, que Ele tinha ainda muita coisa para dizer, mas que os homens não podiam suportar, ou seja, entender naquela época e que, mais tarde, Ele mandaria o Espírito de Verdade, o Consolador (a Doutrina Espírita) que iria repetir o que Ele disse, ensinar novas verdades e anunciar as coisas que viriam.

       Uma síntese maravilhosa do objetivo máximo do Cristianismo em nosso mundo: – “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito” – disse Jesus.

       Sabia, sem dúvidas, o Divino Mestre que a nossa evolução é lenta e não é de um dia para outro que atingiremos a perfeição recomendada por Ele.

       A nossa caminhada, através dos séculos e milênios, é lenta, dolorosa, para que um dia, plenamente felizes, nos aproximemos do Criador que é infinitamente Poderoso, Sábio, Justo, Bom e Perfeito em todas os seus atributos.

Artigo publicado no Jornal Luzes do Consolador em novembro de 1990 –Ano 2 nº8.

  

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