Artigo Publicado no Jornal Luzes do Consolador – Ano 1 nº 2 – dez 1997.

J032

Ponto de Vista

Prof Múcio Melo Álvares

Enxurradas de livros “Psicografados” inundam as livrarias do País

          Está causando espanto a todo Espírita estudioso e sincero o enorme volume de livros que a cada ano vai entupindo as livrarias e as bibliotecas espíritas e não espíritas por todo o País e até no exterior.

        Livros de encarnados e, sobretudo atribuídos a “Espíritos desencarnados”. É a quantidade prevalecendo sobre a qualidade. A vaidade e o interesse comercial acima da verdade e do amor à Doutrina de Luz que restaura o Cristianismo na Terra.

          Muitas  são publicações onde saltam aos olhos dos que as lêem (com as lunetas do amor à Doutrina e do conhecimento da mesma), os erros históricos, científicos, filosóficos, psicológicos, bíblicos, literários e, os mais graves de todos, erros contra as Revelações Espirituais autênticas que, só com o tempo, se lhes provar algum erro, conforme ensinou Allan Kardec, elas se modificarão naquele ponto.

       Conhecemos  um desses escritores, famoso, que nos afirmou uma ocasião aqui em Goiânia, onde veio proferir palestras e dar um curso de Espiritismo: “- escrevi dois livros muito bons (realmente o eram, visto que o autor era bastante versado em letras e conhecia bem  a Doutrina) e os meus livros estão mofando nas livrarias.” E lamentou: “Espírita só gosta de livros de defunto. A partir de agora vou psicografar.” E já tem alguns livros publicados, sendo que um deles está sendo usado por inimigos da Doutrina para desancá-la em jornais, programas de rádio e televisão.

      O mais espantoso é que um desses livros recebeu o aval de vários jornalistas e de escritores espíritas do País que, apesar da grande cultura intelectual, faltava-lhes aquele dom espiritual ou mediunidade a que se referia o apóstolo Paulo na sua Epístola aos Coríntios 1, cap. 12, versículo 10 – O dom de discernir os espíritos. Enganaram-se com as habilidades poéticas e literárias do Autor de carne e osso do livro julgando-o até mais autêntico do que Chico Xavier, na sua obra imortal e grandiosa – Parnaso de Além Túmulo.

         A “autenticidade” do Autor é que ele imitou o estilo dos poetas e prosadores, na época em que eles viveram e os mesmos  que se comunicaram  com Chico Xavier já apresentavam sob a orientação de Emmanuel, muito de evolução espiritual.

        O escritor católico (hoje dissidente da igreja) Neomar de Barros, conta no prefácio de um de seus livros “Deus Negro” que foi procurado por vários proprietários de editoras “espíritas”, propondo-lhe publicar o seu livro e dizer que era psicografado para vender mais e obter maiores lucros. Neomar de Barros informa que rejeitou todas as propostas.

         Poderíamos mencionar aqui grande número de autores e livros apontando-lhes os erros e as falsas revelações que ridicularizam e comprometem a Doutrina, mas não o faremos por questão de ética espiritual e porque o mercado de livros é livre e não temos na Doutrina Espírita nenhum “Index Librorum Proibitorum” ou qualquer “Nihil obstat” ou “Imprimatur” da igreja.

         O Brasil todo tem conhecimento, por exemplo, por informações da imprensa profana (e a Revista Internacional de Espiritismo recentemente dá notícia também) de uma escritora, que está fazendo alto comércio de seus livros, “psicografados” onde há “revelações” que podem induzir a erros graves e ainda censura Chico Xavier por não fazer o mesmo com os seus livros.

   Esqueceu-se a nossa irmã daquele conceito espírita que muitos conhecem: – “Responderemos pelas imagens mentais que criarmos nas mentes dos outros.”

         Poucos anos atrás perguntamos a Chico Xavier, numa das suas saudosas e inesquecíveis visitas à Colônia Santa Marta de Goiânia, na presença do proprietário de uma das livrarias espíritas desta Capital, se os vendedores de livros espíritas responderiam pelos livros que ofereciam ao público e ele informou aos presentes, naquela ocasião, que todos responderão pelo mostruário que apresentam e que, segundo Emmanuel, livros, amizades e comida devem ter procedência escolhida.

       Queremos, entretanto, oferecer algumas dicas, uma orientação segura, que não falha, para a identificação de qualquer livro, dito espírita, que caia em nossas mãos.

    Antes de lê-lo faça uma prece e peça o envolvimento do Espírito Santo, do Espírito da Verdade.

      Em segundo lugar, se deseja afiar a capacidade de discernimento, estude a fundo o Novo Testamento da Bíblia. Indicamos para isso, apenas alguns livros,  com uns ou outros senõezinhos, que em nada desmerecem  o grande valor dos mesmos: O Evangelho dos Humildes e o Evangelho da Mediunidade, ambos de Eliseu Rigonatti; Parábolas Evangélicas à Luz do Espiritismo de Rodolfo Calligares e Cristianismo Redivivo (a Bíblia à Luz da razão contemporânea) de Bruno Bertocco; Cristianismo e Espiritsmo de Léon Denis; todos os livros de Vinícius e os livros magistrais de Emmanuel: Fonte Viva, Vinha de Luz, Pão Nosso, Caminho Verdade e Vida, Ceifa de Luz, Palavras de Vida Eterna, Paulo e Estevão, Renúncia e tantos outros; e ainda Boa Nova de Humberto de Campos – os dois últimos autores, através da lavra psicográfica de Chico Xavier.

      Estude, em seguida, todos os livros de Allan Kardec, todos os volumes de sua notável Revista Espírita e a obra mediúnica vastíssima e impecável de Francisco Cândido Xavier.

         Se sobrar tempo e dinheiro, agora, adquira os demais livros que entender e o leitor terá condições de separar o joio do trigo e de por em prática a recomendação do Cristo de Deus aos apóstolos primitivos: “ –Tende cuidado com o fermento (falsa doutrina) dos fariseus e com os falsos profetas que são lobos com pele de ovelhas;”  “ – Buscai a sã doutrina que vem dos Espíritos de Deus e não da vã sabedoria dos homens.”

       Sabemos, com os ensinamentos dos Espíritos Superiores, que uma terrível justiça aguarda todos os falsos profetas (Cap XXI, item 9, de O Evangelho Segundo o Espiritismo) e que, segundo Jesus, “toda planta que o Pai Celestial não plantou será arrancada pela raiz”, mas como Ele também ensinou, só a verdade orienta e liberta, ou seja, encaminha para a vida, para o futuro, para a evolução e para a felicidade.

      Tinha razão, pois, o grande pensador brasileiro Huberto Rodhen quando escreveu“ – A maior tragédia do Cristianismo é quando os falsos profetas do anti-cristo hasteiam a bandeira do Cristo e deitam toda sorte de joio, nos arraiais do Cristianismo.” Grande verdade do prof Rodhen, porém o Mestre Real é o Cristo mesmo e seus Mensageiros, nos Planos da Luz Divina.

    O próprio Rodhen deixou algumas moitinhas de joio no trigal imenso de sua grande semeadura, com quase uma centena de livros publicados, muitas das quais ele mesmo arrancou antes de seu retorno à Pátria Espiritual.

         Outras ficarão para suas próximas reencarnações.

Artigo Publicado no Jornal Luzes do Consolador  – Ano 1 nº 2 – out 1997.

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